quarta-feira, 3 de julho de 2013

Tempo amigo

Ácido Acetilsalicílico para dores de cabeça. Se for febre, Paracetamol. Dor de dente pode ser amenizada com Lidocaína e tratamento. Ervas, unguentos, simpatias, tantas são as opções para os incômodos físicos, os males do corpo. Só não surgiu ainda nenhuma fórmula instantânea para as dores da alma. Essa que nos acompanha noite e dia, chova ou faça sol.

Cada qual com seus motivos, fato é que cada um de nós em algum momento da vida sofre desse mal. Uns, por destino estão mais sujeitos a esse sofrimento. Outros conseguem superar ou "driblar" o incômodo com mais facilidade. Mas, de verdade, ninguém está vacinado.

Imagino que cada um de nós tenha algum ponto vulnerável. Uma questão que, quando abordada, provoque descontrole emocional, tristeza, angústia, coisas que fogem ao nosso controle e não sabemos como lidar com essa situação em especial.

Tenho um amigo que é capaz de enfrentar terremoto, enchente, chuva de meteoros, ameaça de bomba, qualquer coisa. Mas não sabe lidar com decepções. Não o deixe acreditar demais numa coisa e, de uma hora pra outra diga a ele que não é bem assim. Isso o tira completamente o controle. Lembro bem ele me relatando as dores físicas que sente nesse período de frustração. Impressiona-me sua definição da sensação de um "punhal" cravado em seu peito.

Tão angustiante quanto é esse processo pra ele, é pra mim, saber que não posso fazer nada para ajuda-lo. Não há analgésico que resolva. Só mesmo o tempo pode fazer seu papel apaziguador e dissolver tanto sentimento ruim. Eu mesmo já me afligi muitas vezes, buscando soluções imediatas pras minhas questões. Mas hoje entendo que pras dores da alma, só mesmo o tempo é indicado. É difícil, porque somos imediatistas, queremos tudo pra agora e pensar que nada podemos fazer a não ser, esperar, é ainda mais desalentador. Mas é assim, feliz, ou infelizmente, o tempo é o melhor e único remédio.


sexta-feira, 12 de abril de 2013

Beição


Muitas são as coisas sem explicação. Como dizer o que são os sonhos? Ou como explicar o que é o vento? Não sabemos, apenas sentimos sua passagem, bagunçando os cabelos, levando as folhas e subindo a poeira. Assim também são sentimentos, eles existem e se instalam ali, bem no nosso coração, sem pedir licença, sem muita explicação.

Há um bom punhado de meses, numa dessas madrugadas navegadas na internet, entre tantas pessoas que surgem propondo um papo, uma troca de ideias, surgiu uma com um sotaque potiguar. Parecia ser só mais um querendo compania pra falar bobagens. E era. Falamos muitas bobagens. Mas sabe quando mesmo as bobagens tem um gosto especial se faladas com determinada pessoa? Foi assim.

Dia seguinte, nova sessão de tolices e risos. “Já viu esse clip?” “Escuta essa música”. E assim era a madrugada. Aos poucos, os assuntos mais triviais foram dando lugar às questões mais perturbadoras, como os dramas de familia ou pessoais. As frustrações, as desilusões, a felicidade dos bons momentos. Havíamos nos tornado pessoas com carinho e respeito mútuos. Ítens essenciais da receita pra se construir uma boa amizade.

Meses se passaram e nossa relação virtual foi se firmando até parecer coisa de infância. Bacana, leve, desinteressada. O interesse era sim saber se o outro estava bem, fosse qual fosse a situação. Um carinho imenso e recíproco. Até que um dia, sem que se fizessem muitos planos, o destino nos deu a oportunidade de sair da tela do computador. E tudo aquilo que virtualmente era bom, se tornou ótimo.

São as surpresas que às vezes, o mundo virtual nos reserva. Hoje penso que tenho uma amizade pra toda a minha vida, uma pessoa daquelas que eu queria abraçar e proteger, sem deixar que nada nem ninguém em todo o Universo pudesse lhe fazer algum mal. Somos assim. Temos respeito, temos cuidado, temos atenção. Isso tudo porque eu valorizo o ser humano, seja eu Fábio, fosse eu Fabrício.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Faltou, Deus.


E o que fazer quando você tem aquela vontade quase desesperada de ligar pra aquela pessoa que você não deve ligar de jeito nenhum? Justo aquela que te fez ter os piores sentimentos sobre si mesmo, como pena, raiva, reprovação. Aquela pessoa que te fez sentir o gosto amargo do descaso, do descuido, da traição. E quando eu falo em traição, não me refiro à coisa carnal, me refiro ao compromisso, ainda que velado, de ter cuidado um com o outro. O que fazer quando ainda assim, diante desse quadro, você sente uma angústia corrosiva dentro de você que parece que só cessaria se você ouvisse a voz do seu algoz, agindo como um bálsamo sobre a ferida de um acidentado? 



Acho o corpo humano uma máquina perfeita. Sensacional, tudo funciona, tudo tem sua finalidade e tudo está em perfeita sintonia, fazendo o grande ser funcionar perfeitamente. Mas, pensando bem, eu não sei se é tão perfeita assim essa máquina. Deus, me desculpe ter a coragem de Lhe apontar uma falha em sua construção. É bem pequena, não se preocupe, nem me castigue por ter a petulância de mostrar esse vacilo em seu projeto, que certamente passou despercebido pelo pessoal da arte final. Mas, olha só, faltou-nos um botãozinho, uma chave, uma teclinha que fosse, de forma que a gente pudesse aperta-la e mudar instantâneamente nossos sentimentos. 



Calma Deus, parece complexo, mas vou explicar. Não sei quanto aos meus colegas humanos, mas eu gostaria muito de ter uma teclinha que eu apertasse e automaticamente deixasse de gostar de alguém, por exemplo. Ah, como a vida seria tão mais fácil. Você me magoou, me desapontou, me fez sentir o pior dos seres, eu viro a chavinha pro modo "não gostar mais" e tudo certo! Você não é mais importante e tudo o que me fez deixa de me incomodar, deixa de me fazer sofrer. Olha só quanto drama, quanto choro, quantas horas de análise poderiam ser evitados com um simples botão. Uma simples chavinha que nem ocuparia muito lugar no nosso corpo, que convenhamos, tem espaço até sobrando, sem muita utilidade. As costas, por exemplo. Pra que aquela imensidão de terreno que a gente nem se quer ve? Ali, na nuca, escondido entre o cabelos, caberia perfeitamente o tal botãozinho que nos livraria de tantos dissabores.


Mas enfim, eu não tenho esse dispositivo. Não consigo mudar meus estado de sentir de um dia pro outro, independente do que tenha acontecido. A mágoa existe, a revolta, a raiva, a decepção, até o ódio certas vezes finge que aparece, na tentativa de me enganar e ajudar no processo de esquecimento. Mas ele é uma farsa, um engodo. O que eu realente sinto é o mesmo de antes. De antes de todas as coisas ruins que um algoz é capaz de fazer. Não deixo de gostar, de querer saber se seu dia foi bom, se suas dores no ombro cessaram, se o trabalho está estressante, se surgiram projetos novos. É, eu sou assim. Por muito tempo tive vergonha de não ter a tal teclinha que muda tudo e que todos parecem ter, menos eu. Às vezes eu acho que as pessoas fingem que têm. 

Mas eu não sei fingir. Sei atuar, como bom artista que a falta de modéstia me deixa dizer que sou. Mas fingir, não sei. Continuo sendo eu mesmo. Querendo muito um minuto que seja da voz do meu algoz.Mas a culpa não é minha. Deus! Faltou o botão!

terça-feira, 5 de abril de 2011

freud-se!

Outro dia falei aqui sobre a empatia, se colocar no lugar do outro, para entender o que ele sente. Mas hoje eu percebo que isso não é mesmo possível. Você pode até tentar, mas na verdade, nunca saberemos o que a outra pessoa realmente sente. As reações dependem da história de cada um, da vida de cada um, com seus fatos marcantes, seus traumas, seus dramas.

Algo que pra mim não tem a menor importância, pra outros pode ser uma tragédia sem fim. Vai trazer lembranças ou tocar em pontos difíceis de tratar. Levar um fora, não ser convidado para uma festa, ser reprovado numa seleção, coisas comuns da nossa vida, caem de forma diferente na cabeça de cada um. Despertam emoções variadas, às vezes absurdas aos olhos da maioria, mas são pertinentes para cada pessoa.

Na verdade, a gente não sabe o estrago que algumas atitudes nossas, por mais "inocentes" que sejam, podem fazer na vida do outro. Um simples NÃO que se diga de uma forma descuidada pode ser o início de uma crise angustiante e depressiva. Ser tratado com indiferença, ser preterido, trocado, desaprovado, ninguém reage muito bem mesmo nesses casos, mas para alguns, isso é a morte.

Aí tem quem diga: "quem é tão sensível assim tem mais é que procurar terapia". Concordo plenamente com isso. Aliás, acho que todo mundo devia mesmo fazer análise, até falei disso aqui outro dia. Porque, de perto mesmo ningém é normal, como já bem disse Caetano. Mas eu penso que a gente pode fazer a nossa parte. Não é difícil não, nem custa caro, nem estraga a pele: basta tratarmos as pessoas com mais atenção, com mais cuidado, consideração, respeito.

Entender que não estamos sozinhos em nada. Nem numa amizade, nem numa relação nem numa família. Assim como nós, as pessoas têm expectativas sobre a gente. Frustra-las, por vontade ou mesmo por um descuido, além de ser uma maldade, pode lhes custar muitas idas ao analista.

quarta-feira, 16 de março de 2011

também queremos ser felizes

Tem dias que estamos mais sensíveis que o normal. Mais atentos talvez, ou se questioando mais. Eu ando meio assim. Tenho ficado emotivo até com anúncio de carro na TV. São dias de material farto pra escrever, mas ao mesmo tempo, penso que seja melhor evitar um pouco, pra não carregar demais nas emoções. Mas enfim, eu tava vendo uma cena de casamento numa novela esses dias e, imagine, se comercial de carro ta me tocando o que dizer de um casamento moderninho, padrinhos e noivos dançantes na maoior felicidade? Bom.

Nunca sonhei com isso. Cerimônia de casamento. Realmente é uma coisa que nunca me seduziu. Ainda bem, né? Quem "opta" por ter uma vida um pouco fora dos padrões não pode ter a incoerência de querer seguir certos preceitos tão tradicionais. Menos uma frustração pra tatar na análise. Já basta saber que a relação ruim com o pai foi responsável por boa parte dos problemas da vida adulta e que todo o resto é culpa de quem, da mãe, lógico.

O que me seduziu na cena do tal casamento não foi a cerimônia em si, mas o que aquilo significava para as duas pessoas que se juntavam ali. A alegria de se somar para dividir. Encontrar a parceria, a cumplicidade, o apoio quase incondicional. Não se sentir só. Poder contar com o outro seja qual for a situação. Confiar, acreditar, viver.

Claro que tudo isso pode acabar em poucos meses, todo o encantamento sucumbir diante da rotina e o romance virar um drama. Minha terapeuta certamente destruiria toda essa "ilusão" de amor em 3 minutos, dizendo que não se pode contar com ninguém, que o outro é resultado de nossas projeções e coisas do tipo. Pior que ela sempre ta certa. Mas ainda assim, eu me recuso a deixar de acreditar que é possível sim tudo aquilo que falei no parágrafo anterior.

Nem eu nem ninguém precisa de uma igreja enfeitada, flores, padre, musica, nada disso. Precisamos de coisas muito simples. Sinceridade, coragem, vontade, desejo, afeto, cumplicidade, essa talvez a coisa mais importante e mais dificil de se conseguir, por que parece que todos têm muito medo do comprometimento. Mas só ele pode fazer de algo uma relação de verdade. Ah, chega de falar disso.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Eis o melhor

Tempos que não posto um vídeo. Essa música nem precisa mesmo de imagens. Vai lá onde nada se vê. Se sente. Não se perca ao entrar.

quarta-feira, 9 de março de 2011

e o vento

Às vezes estamos parados num lugar, sem prestar muita atenção em nada, de repente o vento traz uma folha, bate bem na nossa cara. Em geral a gente pega e devolve ao vento, sem nem olhar pra ela. Mas tem dias que a folha pode ser bonita e mereça até ser guardada dentro de um livro. É questão de olhar, parar por uns segundos pra observar aquilo que o acaso trouxe. Pode não ser nada demais, mas também pode ser.

Muita gente aparece na nossa vida, as vezes do nada, trazida pelo vento. Na maioria dos casos, nem reparamos muito nessas pessoas. Elas também passam sem despertar muita atenção. Assim como vieram, se vão sem deixar rastro.

Já tem aquelas que surgem como que trazidas por um furacão, provocam um turbilhão de sensações, agitam e desestabilizam nosso ponto de equilíbrio. Tiram do lugar nossos princípios e fazem nossas convicções parecerem tão resistentes como uma casca de ovo. Chegam nos fazendo crer que tudo será diferente, que uma nova e intensa experiência vai acontecer.

Mas no entanto, assim como um temporal, elas passam. Todo aquele vendaval, prenúncio da sua chegada, se transforma em brisa. Nada acontece. Sem que você entenda como, tudo que parecia ser, não é. Tudo que podia ser, não será e tudo que foi, na verdade nem era. E você fica pensando "será que só eu vi a chuva cair?". Você não entende como pode ter se enganado com aquela aparição. Parecia tudo tão real. Parecia mesmo a folha que vai pra dentro do livro. Mas não era. Coisas do vento.

terça-feira, 1 de março de 2011

possibilidades

Vida de solteiro tem mesmo suas vantagens. Fazer o que quiser, sair pra qualquer lugar, decidir em cima da hora pra onde ir, sem ter que dar satisfação pra ninguém. Não precisar conviver com os defeitos do outro, não ter que aturar mau humor nem ver um estilo de filme que você odeia, só pra fazer companhia. Isso tudo sem falar na liberdade de poder conhecer tanta gente nova. São tantas as possibilidades que eu fico pensando: pra que se prender a um relacionamento?

Acontece que às vezes, essas "tantas possibilidades" não são o que nos faz feliz. Chega um momento que mesmo a liberdade perde um pouco sua graça. Acho que até os Tribalistas se cansam de "não ser de ninguém e ser de todo mundo". Chega uma hora que uma companhia basta. Mas não qualquer uma, aquela, especial, com quem você pode ter uma noite incrível de sexo animal e selvagem ou passar horas conversando sobre o mundo, a vida e conjunção dos astros, que o prazer será o mesmo.

Eu estava pensando que não sentia mais falta dessas coisas. Mas às vezes me pego desejando receber um só telefonema, de boa noite, de bom dia. Ou ter pra quem ligar quando uma coisa muito boa acontece e eu preciso dividir essa alegria. Claro que os amigos estão aí pra fazer esse papel muitas vezes, mas não é disso que eu to falando. É algo um pouco além.

Mas isso não é coisa que se programe, ou se espere com ansiedade. Acontece. Quando menos se espera e quando mais se resiste. Me agrada perceber que ainda tenho esse tipo de sentimento. Já estava me sentindo meio superficial demais e muito adaptado à solteirice. Além disso, meu último relacionamento foi uma das piores experiências que tive, eu podia estar vacinado contra isso. Mas não, acho que desse "mal" ainda padeço.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

HAPPY birthday!


Hoje o Receitazul completa 2 anos de vida, parabéns pra ele! São 24 meses de pensamentos, indignações, lamentos, alegrias. Momentos de bom astral e períodos de amargura. Nesse tempo muitas coisas aconteceram. Nos meus dias pessoas entraram, outras saíram, algumas só passaram. Tive bons momentos, outros nem tanto. Por vezes preferi até nem escrever, de tão ácido que seria meu texto naquele momento. Esse blog tem sido um bom amigo, daqueles que nos ouvem a qualquer hora do dia ou da noite, sem fazer uma crítica se quer. Apenas estão ali, prontos pra escutar uma, duas, três vezes a mesma história, tudo sem reclamar.

Diante de tantas variações de humor, fico feliz que esse aniversário aconteça num momento tão bom como agora. Não fiquei rico, não ganhei uma viagem, não fui sorteado pela Loteria, tão pouco consegui o emprego dos sonhos. Prêmio não ganhei, condecoração não recebi, nem mesmo flores me mandaram. Mas eu to feliz. Não sei o que vai acontecer amanhã, ou depois, mas hoje eu sinto a alegria de um encontro bom. Daqueles inesperados mas que fazem o dia ficar mais luminoso, as musicas mais bonitas e a vida mais interessante.

Parabéns, Receitazul, felicidades e longa vida pra você. Vou torcer muito para gente ter várias crises de riso e poucos motivos pra lamentar. Pra você me ouvir falar de como a vida está boa, das festas, do trabalho, da praia, dos amigos e claro, do amor. Afinal, "o amor quando acontece a gente esquece logo que sofreu um dia."

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

você tem?


Quando me perguntam qual é minha religião, digo que não tenho. A pesar de ter sido criado no Catolicismo e ter feito a maioria dos Sacramentos. Aprendi que devemos ser humildes, não nos apegar ao dinheiro e ver a pobreza quase como uma qualidade das pessoas de bem, filhas do Senhor. Não é àtoa que dizem que "é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos Céus".

Depois, já adolescente, encontrei no Espiritualismo a maioria das respostas pras minhas questões. Encontrei orientações, apoio e mais uma vez ouvi que dinheiro não é importante e sim os sentimentos nobres, a paz, o amor e a evolução espiritual. Humildade, abnegação, desapego e um total desencanto pelos bens materiais.

Acho que isso tudo seria perfeito, não fosse o mundo em que vivemos, movido pelo dinheiro, pelo desejo e pelo poder. É muito difícil ser espiritualizado numa terra onde se paga pra tudo. Manter o pensamento elevado quando você não tem um atendimento dígno num hospital porque não pode pagar um plano de saúde. Complicado não desejar futilidades, quando a todo momento a midia nos convence de que precisamos desesperadamente de coisas que não nos fazem falta.

Quem não pode pagar, não vive o melhor da vida. Não frequenta boas escolas, não come em bons restaurantes, não tem uma moradia confortável, sofre em ônibus cheio, em fila de hospital, fica fora da vida cultural, do lazer, da diversão. Pra tudo o dinheiro se faz necessário e não te-lo por vezes parece uma doença, que segrega e exclui o infectado. Eu continuo com meus princípios sobre a nossa existência e a razão para estarmos nessa terra, mas reconheço que é difícil se manter fiel às ideologias diante desse cenário. Existe sim um mundo melhor, mas ele custa caro.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

tratamento de canal

Devo dizer que algumas coisas me irritam bastante. Uma delas é sentir falta de quem não devia fazer falta. Na verdade nem faz, mas mesmo assim eu sinto. Mania que a gente tem (sim, to incluindo todo mundo no bolo) de se apegar a pessoas que não têm nada a nos oferecer em colaboração com nossa evolução ou simples bem estar. É saber que aquilo é infinitamente inferior ao que podemos ter, e mesmo assim, querer aquilo.

Seria talvez coisa de quem foi criança mimada, que quer o que não pode ter. Mas também seria o caso de não perceber o quanto se merece mais da vida, o quanto se pode ter mais. Daí ficamos chateados até por não ter migalhas, algo que nem devia estar em pauta de discussão, de tão absurdo e fora de cogitação que devia ser pra nós. No entanto, lamento e choro por coisas tão aquém de mim.

O pior de tudo isso, acho eu, é saber que o motivo da "saudade" não merece nem mesmo uma breve lembrança, quanto mais um pensamento incessante. Isso me aborrece ainda mais, não ter controle do que se sente. É como uma dor de dente, aquele do canal, você logicamente não quer sentir, mas sente, e fica com aquilo te acompanhando por dias, semanas, até que o tempo, anestésico natural, amenize o problema.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

últimos biscoitos


Um dia minha vó fez pra mim uns biscoitos de polvilho, que ela costumava fazer. Eram deliciosos e eu quase posso sentir o cheiro deles até hoje. E olha que isso faz muito tempo. Eu fiquei todo contente, lógico, queria tudo pra mim, mas achava que teria biscoitos pela vida toda e por isso comia sem dar muita importância. Mas minha vó ficou pouco tempo comigo, ela se foi quando eu tinha 7 anos e aquela foi a última vez que ela me fez um carinho com suas guloseimas.

Não sei como seria se a agente soubesse sempre quando é a última vez. A última ida a um cinema, o último passeio de barco, a última vez que vemos alguém, o último beijo de amor. Será que aproveitaríamos mais cada segundo dessa derradeira emoção ou a dor da despedida seria muito mais forte? Eu lembro perfeitamente a última vez que vi meu pai. Foi há 22 anos, mas é como se fosse agora. Ele entrou num carro e foi se consultar num hospital, de onde não saiu vivo. Fico pensando em quanta coisa eu poderia ter falado com ele, se a gente soubesse que aquela era a última vez.


Mas a gente não sabia, ninguém sabe. Melhor mesmo não saber que essa noite de amor de hoje é a última, porque amanhã um terrível mal entendido vai por fim no relacionamento. Não saber que esse beijo apaixonado é o último, pois uma avalanche de terra vai soterrar esse casal. Melhor não ter ideia de que aquele bate papo longo e saboroso, tão próprio dos amigos, é o último, já que um deles terá uma morte súbita. É, melhor mesmo não saber.


Tem uma frase de para choque de caminhão que diz "viva cada dia como se fosse o último, pois um dia você acerta". De fato, seria a melhor maneira, viver intensamente cada momento, cada encontro, cada beijo, cada noite de amor. Fazer hoje, não deixar pra depois. Mandar um beijo, um bilhete, dizer que ama, agradecer, elogiar, enaltecer a amizade, fazer um carinho, abraçar. Todas essas coisas que a gente tem vontade de fazer de novo, sempre que ja aconteceu pela última vez.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Feliz ano novo

Após sobreviver à orgia gastronômica e alcoólica que só as festas de fim de ano permitem, aqui estou, pronto pra encarar mais uma etapa. É incrível como realmente acreditamos que uma mudança no calendário pode mesmo fazer toda a diferença na nossa vida. Eu já to achando que tudo está diferente, que o mundo está melhor, que agora as coisas vão caminhar, os problemas acabar e até alcançaremos a paz mundial, sonho de 9 em cada 10 Misses.

Tenho esperança de que esse ano vou conseguir me divertir mais. Não dar tanta importância pras coisas que não merecem, tão pouco pras pessoas assim. To pensando em estudar, aprender, viajar, conhecer, construir, trabalhar. Nada de mais, as mesmas coisas que toda pessoa com um mínimo de expectativa espera da vida. Já não tenho aqueles projetos de ano novo, como emagrecer, começar na academia ou ter uma vida saudável. Isso tudo faz parte da minha rotina. Hoje eu quero é mais.

Quero estar em vários lugares, com várias pessoas, ouvir muita música, dançar, ter uns ataques de riso, esquecer tudo e todos que arrancam de mim o bom humor. Quero que os cobradores errem meu endereço, os chatos percam meu telefone e os falsos se distanciem. Não tenho tempo pra mediocridades e lamento quem insiste em conviver com elas.

Pode ser apenas uma questão psicológica, mas de fato to acreditando que esse próximo conjunto de 12 meses será melhor do que aquele que se foi. Mesmo porque, ser melhor que 2010 é coisa fácil.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

3 desejos

Pouca coisa é tão gostosa como um pudim de maria mole e, de tão fácil, qualquer um pode fazer. Basta saber ligar um liquidificador e jogar dentro uma lata de leite condensado, outra de creme de leite, a mesma medida de leite morno e um pacote de pó para maria mole. Bate tudo e põe numa forma caramelizada. É só levar pra geladeira por algumas horas. Coisa boa.

Difícil algo melhor do que passar um dia quente na praia. Basta escolher um bom lugar ao sol, ter uma cadeira confortável, uma barraca generosa, um bom protetor solar, óculos escuros, revistas pra folhear, trocados pra pagar o mate, o biscoito, o pastel. Um MP3 também seria bom, pra curtir um sonzinho bem egoísta. Um amigo na cadeira ao lado pra conversar, ou na falta, um vizinho pra olhar as nossas coisas enquanto vamos na água. Coisa ótima.

Nada é tão bom como um encontro romântico. É só você suportar a ansiedade de esperar a hora, tomar banho, lavar cabeça, cortar unhas, fazer barba, aparar pelos, limpar ouvidos, passar cremes, pentear cabelos, por camisa, trocar, por outra, trocar, decidir pela 7ª escolha, passar perfume, olhar no relógio, se desesperar, sair correndo, chegar ao lugar, encontrar, sorrir , abraçar, jantar, beber, falar, fingir segurança, rir, tentar impressionar, fazer cara de sedutor, pedir a conta, ir pra casa junto, por uma música, beijar, beijar, beijar... Coisa maravilhosa.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

falta de que?

Dizem que saudade é palavra que só existe na língua portuguesa.
Uns falam com orgulho, como se o sentimento fosse só nosso, de quem fala esse idioma tão difícil. Ocorre que não. Seja qual for o
dialeto que se fale, a sensação é a mesma. De falta, de espera, de busca. Tenho saudades de muitas coisas. De partes da minha infância. Dos meus amigos que já se foram. Da simples ilusão de existir um coelho que traz ovos de chocolate. Sinto saudades de coisas que me faziam sorrir. Assim como hoje tenho das coisas que ainda me farão. Às vezes da uma saudade tremenda, do que ainda nem aconteceu.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Bandit


Às vezes eu tenho uma vontade incrível de voltar a ser criança, quando meu maior sonho era ganhar um Autorama e minhas maiores preocupações eram não perder o horário de Jonny Quest e fazer meus deveres de casa. Quanta preocupação eu tinha e achava tudo isso um peso grande demais pra uma pessoa carregar. Mal podia imaginar que era essa a época mais tranquila que se pode ter. Em pouco tempo chegaria a conta alta que se tem que pagar pelo ingresso no mundo dos adultos.

Não lembro mais quando mudaram os focos. Quando deixei de pensar em qual brinquedo pedir, pra pensar em como atender a pedidos. Só sei que foi muito rápida a mudança. Não deu tempo nem de me despedir do Jonny Quest e já estava eu metido com os problemas de gente grande. Contas, família, relacionamentos, trabalho. Eu ainda nem sabia como era ser maior de idade, mas trazia preocupações com coisas bem mais sérias que Autoramas. E esse era só o começo.

Ah, essa vida exige muito. É preciso ser bonito, bem sucedido, saudável. Bom amigo, bom funcionário, ter um carro novo, ser bem informado, viajar. Se possível, usar marcas. Malhar é imprescindível, se você não quiser entrar pra lista dos rejeitados. É necessário ter suas contas em dia, trabalhar muito, sejam quantas horas forem, mas pagar seu celular de última geração. Além disso, você tem que ser forte, bem resolvido, encarar numa boa qualquer dificuldade e não se abalar com o fim de uma relação, por exemplo. Afinal, "a fila anda".

É, não é fácil ser adulto.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

e s c o l h a s

E a vida podia ser tão mais simples, se fizéssemos as escolhas certas. O caminho mais curto, a roupa mais confortável, as companhias mais agradáveis. Mas como saber? Como prever que o caminho será tortuoso, a vestimenta um tormento ou o parceiro um engodo? Não há como. Só resta arriscar mesmo. Se aventurar no palpite, caminhar no arame sem rede de proteção lá em baixo.

Com o tempo, a experiência de vida até nos permite, não a certeza, mas a sensação de saber o que vem pela frente, junto com nossas escolhas. Mas é só uma impressão. Certeza não há como ter, pois ainda assim quebramos a cara muitas vezes nos caminhos errados que escolhemos, crentes que a maturidade nos ensinou tudo. Iludidos que somos.

Muitas vezes até sabemos, no fundo, que estamos no caminho errado, que não vai dar certo. Mas mesmo assim insistimos. Parece que queremos acreditar perdidamente que alguma coisa "dessa vez" vai ser diferente. E insistimos no erro. A história se repete, e de novo, e de novo. Passamos a vida caindo nas mesmas falhas. Em momentos diferentes, em níveis diferentes, mas as mesmas falhas.

Eu não sei como seria se não cometêssemos erros. Se a vida seria uma maravilha ou uma tediosa experiência. Mas eu imagino que boa dose de angústia seria poupada. Todos os dias pagamos por fazer escolhas erradas. Por escolher a profissão errada, por votar no candidato errado, por comprar o carro errado, por gostar da pessoa errada.



quarta-feira, 8 de setembro de 2010

samba da bênção

Vinicius de Moraes já dizia que "pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza". Realmente algumas vezes a angústia e o descontentamento nos inspiram a criação. A vontade de falar das dificuldades, das desilusões, das coisas não acontecidas. A dor é companheira e musa dos românticos. Até mesmo pra se escrever um texto, vai bem uma dose de melancolia pra facilitar a fluidez das palavras. Elas brotam com mais força.

Acho que isso justifica em parte minha falta de inspiração pra escrever aqui. Não que eu esteja vivendo num mar de rosas, mas acho que tenho aprendido a administrar as adversidades de forma que elas não me abatam mais como antes. Problemas sempre vão existir, como uma praga que gruda, não larga, até dão uma folga, mas estão sempre aí. O que pode ser diferente é a maneira como os encaramos. Tem sido muito bom aprender a conviver com o adverso, não se afetar com o que, pelo menos no momento, não depende de nós, está fora do nosso controle. O entendimento de que a solução não depende de você é libertador.

Então a vida segue, os dias passam, as festas acontecem, pessoas chegam, pessoas vão, surgem músicas novas, filmes, sol aparece, se esconde, você malha, corre, come, dorme, televisão, namora, viaja, compra um CD, conversa na cam, vai dançar, vem da rua, come um bolo, compra uma camisa nova, corta o cabelo, faz a sua parte. Os problemas continuam lá, todos, mas se não se pode resolvê-los, pelo menos nesse instante, que se danem. É mesmo "melhor ser alegre que ser triste".

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Lady Fake


É possível que arrume algumas inimizades agora, mas eu tenho que dizer o quanto acho falsa a imagem dessa Lady Gaga. A começar pelo próprio nome. Gaga, coisa feia. Nem um nome mais próximo do comum ela podia ter? Tá certo que algumas de suas músicas são interessantes, super dançantes, ela canta bem e tal. Mas, por favor, o aparato ao seu redor torna tudo tão cansativo e com aquela sensação de dejavu... A mulher foi "fabricada" para se tornar um ícone pop e as pessoas compram a ideia sem pestanejar.

Fazer uma cara blasé e dizer uma ou outra frase rebelde muitas vezes se faz necessário sim, atrai a mídia, é uma questão de marketing. Mas ninguém consegue viver 24 horas vestido de personagem pós moderno. Isso cansa. Destroi a credibilidade. Faz tudo parecer um constante jogo de cena. Por isso eu não consigo acreditar em nada do que ela fala. Acho falsas todas as suas atitudes, palavras, gestos. Uma pena, pois acho uma artista que tem seu valor vocal e muito carisma. Basta ver a quantidade de admiradores que conquistou em pouco tempo. Aliás esse é mais um ponto discutível sobre seu comportamento.

Como uma pessoa que tem milhares de adolescentes como seus seguidores pode simplesmente dizer em entrevista que faz uso "apenas de cocaína"? É muita falta de cuidado, no mínimo. Longe de mim querer ser moralista, afinal a gente sabe que as drogas estão em todos os lugares. Mas, por favor, se você é um ídolo, que influencia um monte de gente, tem que medir melhor o que fala.

Alguns podem dizer "mas, e a Amy Winehouse, seu ídolo?" Bom, é evidente que a Amy não é um bom exemplo de como se comportar. Mas ela não faz suas trapalhadas buscando promoção e muito menos influenciar. Seus porres e over doses são constrangedores e até servem sim de bom exemplo do que não deve ser feito. Amy faz por si mesma, pra se divertir ou pra tentar saciar as angústias que assolam uma grande artista. O mal que pode causar é a si própria.

Enfim, não vou ficar aqui metendo o pau na Lady. Vai que seus fãs resolvem me pegar na saída. Só acho incrível como nossa sociedade adota e consome tudo que lhe é enfiado pela garganta. Sem questionamentos, sem filtros, sem noção.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

sem controle

A gente costuma se estressar quando alguma coisa não acontece exatamente como esperamos. Se o pedido no restaurante está demorando, se não conseguimos chegar ao cinema a tempo de ver o filme ou mesmo se caiu aquela chuva bem na hora de sair pra rua. Achamos que temos o controle de tudo e ao menor sinal de que isso não é verdade, a irritação toma conta do nosso ser. É, esse é o problema, a doce ilusão de que temos o controle da situação.

Fazemos planos, roteiros, programações, contando como fato que tudo acontecerá conforme nossas designações. Mas aí, basta uma peça da engrenagem sair do lugar e nossa impotência diante da vida fica óbvia e cai sobre nós como um saco de areia de 500 kg.

De um minuto pro outro um acidente na estrada finda a viagem tão
planejada de um casal. Da noite para o dia a mãe perde o filho num acidente de trânsito. Em instantes a casa cai e soterra uma família inteira. Tudo assim, de repente, sem avisar, sem que a gente possa fazer nada nossa vida pode ter fim ou mudar completamente.

É natural que tenhamos nossos sonhos e perspectivas, coisas que queremos conquistar e situações que desejamos realizar, mas viver em função do que ainda está por vir, pode ser uma grande perda de tempo. Realmente não sabemos o que vai acontecer semana que vem, amanhã ou daqui a uma hora. Não da pra jogar todas as expectativas lá na frente. Mais inteligente é viver cada minuto, fazer hoje, dizer agora, experimentar nesse momento. Melhor não deixar pra amanhã se nem sabemos se o amanhã virá.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

das relatividades

Um minuto é muito tempo pra você? Se tem alguém te fazendo uma boa massagem nas costas, um minuto é quase nada. Mas e se seu dedo está preso na porta do carro? Que eternidade que é um minuto. Uma hora vendo um ótimo filme passa tão rápido. Uma hora correndo na esteira parece que não passa. O tempo é relativo. Pode ser muito ou muito pouco, só depende do que fazemos com ele.

Eu tava pensando na vida, nos planos que fiz para quando estivesse com a idade que tenho agora. Percebi que não consegui nem metade do que programei. Por pouco não entristeço ou sou tomado pela frustração, já que o tempo passa de pressa e muito ainda tenho a fazer. É possível que eu já tenha vivido mais da metade da minha vida e não consegui ainda o que julgo importante. Mas, o que é essa minha curta existência diante da eternidade da minha alma?

Hoje conversei com um vizinho que está meio "de molho" por conta de uma crônica dor nas costas. Isso pra ele é uma lástima que o deixa triste e deprimido. Claro que é legítima sua tristeza, afinal ninguém gosta de sentir dor ou ser privado de suas atividades normais por causa de uma doença. Mas, diante de enfermidades degenerativas que imobilizam, debilitam e reduzem o indivíduo a um ser dependente da caridade alheia e lhe prendem na cama de um hospital, o que é uma temporária dor nas costas?

quarta-feira, 14 de julho de 2010

P.Q.P!

Já reparou que quando algo tá insistindo em não dar certo, basta um sonoro palavrão e a coisa funciona? Não sei quanto a você, mas comigo acontece o tempo todo. A chave que não entra, um controle que não funciona ou uma caneta que teima em não escrever. Eu tento uma, duas, três vezes e não vai, na quarta tentativa, acompanhada de um bom xingamento, tudo se resolve.

Hoje mesmo eu tava tomando banho e o sabonete parecia mais liso que de costume, caía da minha mão o tempo todo. Na quinta vez que ele pulou no chão, foi um poooooorrraaaaa junto. Pronto, o bicho grudou na minha mão. E quando você põe uma coisa em cima da mesa e ela escorrega e cai? Você pega de novo e ela cai. Não tem jeito, tem que mandar um caraleooo daqueles bem grandes e o objeto fica paradinho.


Eu não acho lindo o sujeito usar um linguajar xulo o tempo todo, com um texto cheio de coisas impublicáveis. Mas um bom palavrão bem pontuado, aqui e ali, tem o seu charme. Torna a conversa mais pessoal, descontraída, é até sexy. Como recurso em momento de estress então, vira ítem indispensável.


Minha dizia que "o diabo atenta até a gente pecar falando um palavrão". Bom, se é isso mesmo, ta dando certo, porque de fato eu xingo. Mas nem acho que isso seja pecado. Palavrão, pecado, desde quando? Uma coisa libertadora como essa só pode ser do bem. Quando você dá uma joelhada na quina da mesa, não há outra coisa a dizer que não seja um palavrão daqueles que nem existem no dicionário mais pervertido. A dor até diminui.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Amor ao contrário


Eu tava vendo um programa na TV que levantava uma discussão sobre qual seria o contrário do amor. O ódio, a raiva, a repulsa foram algumas das possibilidades. Quando se fala em não amar, tendemos a pensar logo em odiar, ou coisa próxima disso. No entanto, existe algo muito pior, muito mais contundente e dilacerante que o ódio: a indiferença.

A indiferença ignora, não faz questão do pensamento, da lembrança, do cuidado. Não permite que se tenha um segundo de ansiedade pela volta, pelo encontro, pela presença. É como se o outro morresse. Ele está ali, mas não importa . Não muda em nada nossa vida saber de seu dia, do seu humor ou do seu bem estar. É indiferente.

Quando se ama, o outro está presente em todos os minutos do dia. Pensamentos, lembranças, projetos, sentimentos. Em tudo o amor está, pulsante, vibrante, latente. Assim como o ódio. É, parece estranho, mas o ódio está na mesma linha do amor. Quem odeia também pensa no seu objeto, imagina como podem ser ruins os seus dias, sua saúde, seus planos. Há uma forte ligação entre as duas pessoas. Por isso o ódio não é o antônimo do amor. A indiferença sim.

Eu nunca tinha pensado sobre isso. Nunca imaginei a possibilidade de achar que ser odiado pudesse ser uma "melhor opção" em qualquer situação que fosse. Pode ser que a famosa "falem mal mas falem de mim" venha de um raciocínio próximo. De fato, melhor estar nas críticas do que não estar em página nenhuma. Melhor estar nas lembranças iradas de quem nos importa do que simplesmente não existir em seus pensamentos.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Sem título

Mais de 15 dias sem postar nada. É que o dono desse blog anda meio sem inspiração com as palavras. Verdade que a falta de tempo também tem contribuído pra pouca escrita. Ele tem trabalhado bastante, tem conversado muito com os amigos, tem aproveitado as manhãs de sol fraco, tem viajado, ido ao teatro, cinema, feito torta de morango, saído pras noitadas. Ele anda meio sem tempo mesmo.

Ainda outro dia ele reclamava da falta de acontecimentos na sua vida. Dizia de certa forma que a rotina estava chata e que nada interessante acontecia. Pensando bem, acho que ele não estava muito atento às coisas. Num curto período de tempo, esse rapaz conheceu gente muito nova, gente mais velha, pessoas muito interessantes, outras nem tanto. Fez escolhas erradas, foi escolhido, não aceitou, não foi aceito, aumentou seu ritmo de trabalho, perdeu peso, ganhou músculos... Não parece uma vida com poucos acontecimentos.

É que a gente nunca está satisfeito mesmo com o que tem. Ficamos o tempo todo à espera de alguma coisa. De certa forma isso é muito bom. Eu não aguentaria uma vida de conformismo. Se sentir realizado e pleno já? E o que eu farei até os meus cem anos? Ah não, eu quero é mais festa, mais gente nova, mais surpresas (boas, é lógico), mais encontros (to legal de desencontros), mais expectativa, mais viagens planejadas, mais vodkas com suco.

Bom, voltando a falar dele, o blogueiro, a ideia era só passar pra dizer aos seus seguidores que ele não abandonou o posto. Foi só um período de poucas palavras, mas que já passa. De certo modo, é um bom sinal. Indica que o sujeito está numa fase tranquila, já que se utiliza desse espaço como uma terapia, um medicamento necessário aos surtados, vide o nome do blog. Se ele tá lá na dele sem precisar de receita, deixa o cara.

sábado, 29 de maio de 2010

just a boy

Quando ele passou por mim, foi difícil não reparar o jeito quase infantil de quem tá ali meio sem saber direito que lugar era aquele. Certos detalhes me chamam a atenção nas pessoas. Pode ser só a maneira de andar, a forma de falar com quem está perto, ou mesmo o jeito de olhar o que está à sua volta. Naquele caso, a beleza inocente que a excessiva juventude mostrava, foi o que reteve minhas atenções.

Eu acho que me vi naquela figura tão iniciante no processo de vida. Vi a mim mesmo, aos 18 anos, sem ter ideia de tudo o que viria a acontecer. Eu, com todas as minhas inseguranças, temores, expectativas e um mundo de coisas que eu nem sabia se existiam de verdade, ou se eram pura imaginação minha. Tinha muitos sonhos, muitas "certezas definitivas" como convém a qualquer pós adolescente e achava que o mundo se renderia aos meus pés, bastasse eu mostrar como meus sentimentos eram puros.

Acontece que não deu muito tempo pra sonhar. Por uma série de circunstâncias sobre as quais não se tem controle, meu encontro com a realidade foi cedo demais. Os conflitos, incertezas, inseguranças, tudo teve que dar lugar a um comportamento de pessoa que precisa amadurecer à força, perdendo o direito aos devaneios dessa fase que separa a adolescência da vida adulta. Era uma criança grande que morreu, antes da hora.

Talvez por isso, tenha esse menino me trazido toda essa satisfação de estar ao seu lado. Ouvi-lo contar como foi o episódio da sua série de TV preferida. As histórias sobre a vida
difícil de quem está no Colegial. O dilema enlouquecedor de quem não sabe ainda qual carreira seguir. As broncas da mãe por qualquer razão ou o transtorno monumental que acontece quando atrasa a mesada do pai. Pra mim, coisas engraçadas, pra ele problemas monstruosos.

É verdade que não sei por quanto tempo duraria esse meu encantamento. Possível que em breve meu garoto interno se mostrasse saciado e desejoso de voltar ao mundo real, não sei. Penso em tudo que eu queria fazer, cuidar, não deixar que nada nem ninguém no Universo lhe fizesse qualquer mal. Mas ele é só um menino. Ele é tão novinho e já encontrou uma das pessoas mais bacanas que vão passar pela vida dele. Mas talvez pela própria imaturidade, não a reconheceu.

terça-feira, 25 de maio de 2010

quase nada

Já tem um tempo que não escrevo. Eu tava esperando ter alguma coisa interessante pra comentar, mas acho que "coisas interessantes" estão meio em falta ultimamente. Tá, tem as saídas com os amigos, os filmes interessantes, as peças de teatro, mas isso é rotina. Queria mesmo falar de algo realmente novo, um grande acontecimento, uma coisa arrebatadora. Dessas que mudam a vida da gente, transformam o pão com manteiga num banquete.

Tem certas coisas que acontecem de repente e dão uma revigorada na nossa vida. A ansiedade de um grande encontro, a expectativa de um novo projeto, o começo de uma nova história. Essas emoções são como uma recarga pras nossas baterias. Quando não acontecem deixam nossas luzes meio apagadas, sem muita intensidade. Acho que to em falta dessa energia, que movimenta, empolga e faz a gente rir até fazendo tratamento de canal.

Queria que esse post fosse mais animado, depois de tantos dias sem falar nada. Mas enfim, eu precisava dividir isso. Seguimos tendo as manhãs de outono, os dias de sol, uns a escola, outros o trabalho, alguns a ociosidade. Muitas vezes eu me pego sentindo saudades de coisas que ainda não aconteceram. Da festa que não fui, da viagem que não fiz, do amor que não vivi. E a vida segue...

sábado, 1 de maio de 2010

50 no supino


Tem coisa mais sem sentido do que fazer musculação? Você fica ali, horas, entre aquelas máquinas desprovidas de beleza, levantando pedaços de ferro, suando, fazendo careta e sentindo dor. Parece uma tortura, um purgatório, um bando de masoquistas em confraternização. E pior, ainda pagamos pra fazer isso. Uma ou mais horas, todo dia, toda semana, todo mês. Quanto mais dor se sente, mais satisfeito ficamos. "O músculo foi bem trabalhado". Acho que se um "ET" chegasse de repente e nos visse levantando e baixando aqueles pesos todos, sem sair do lugar, pensaria: "que gente doida".

Agora, tudo isso por causa de que? Porque foi estabelecido que o belo é o corpo musculoso, definido, capaz de servir pra uma lição de anatomia sem precisar ser dissecado. Não se sabe quem determinou isso, mas é algo que de fato está entranhado na nossa cabeça. Tenho lembranças infantis do fim dos anos 70 e muitas dos 80 e pelo que recordo, bastava ser magro nessa época para ser aceito como bonito. Não havia ainda a obsessão pela hipertrofia. Eu mesmo admirava um corpo magro. Engraçado é que de repente, a gente deixou de apreciar isso. Agora só vale se for forte. Mudamos nosso gosto de verdade.

Mas, como dá trabalho essa fissura pelo corpo atraente. Corre, malha, não come, e toma isso, toma aquilo. Inveja de quem viveu no Renascentismo, onde as formas roliças eram cultuadas. Dá pra voltar esse padrão não, por favor? Ás vezes eu tenho vontade de mandar as anilhas pro inferno e comer bolo com recheio todo dia no café da manhã. Mas ainda bem que vontade é coisa que dá e passa. Continuo no café puro com um pão preto mesmo e correndo 50 minutos depois de levantar ferro. Aliás, deixa eu ir que to atrasado e a academia hoje fecha mais cedo.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

a vida pode ser bela


Tem uma música chamada Chão de estrelas que diz "a porta do barraco era sem trinco e a lua furando nosso zinco, salpicava de estrelas nosso chão..." Acho esse verso uma das coisas mais bonitas da língua portuguesa. Impressionante como alguém pode tirar tamanha beleza de uma situação tão miserável. Faz parecer que tudo depende da forma como vemos. Tristezas só existem se deixamos elas existirem.

Admiráveis são essas pessoas que, diante de tragédias como ter a casa arrastada pela enxurrada, ainda conseguem sorrir e dizer "graças a Deus estamos bem". A maioria de nós se deprime por tão pouco. Claro que todo mundo tem problemas e eles afetam cada um de nós de um jeito, mas, será que se tentarmos mudar a forma como olhamos pra eles, eles não se tornariam menos incômodos?


Não quero fazer a Polyana e ver o lado bom das coisas ruins, até mesmo porque, coisa ruim não pode ter lado bom. Mas acho que a gente tem uma humana tendência a pintar o monstro muito mais feio do que ele é na verdade. Você não precisa "achar bonito não ter o que comer", como diz a letra de outra música nossa, mas pode não pensar que é o mais infeliz dos seres só porque hoje a geladeira tá vazia.


Muito bacana eu falar isso tudo aqui, como se eu mesmo seguisse essa maneira que prego. Na verdade, me deixo abater até por um chiclete grudado no pé. Mas quem sabe, falando sobre isso, acabo me convencendo e agindo assim naturalmente, achando a vida menos cruel. Ainda não penso que "tem males que vêm para o bem".
Tem males que vêm é pra te foder mesmo.


segunda-feira, 26 de abril de 2010

Além do fim

Longe de mim querer converter alguém ou impor ideologias que sejam. Não tem coisa mais chata que essas pessoas que tentam enfiar suas crenças garganta abaixo das pessoas. Evangélicos são mestres nisso. Grande parte deles se acha superior e detentora da verdade absoluta sobre o reino dos céus. Às vezes até já cometeram crimes, mas tendo "aceito Jesus em seus corações" estão salvos e superiores. Mas enfim, só quero comentar sobre meu programa de domingo, ir ao cinema ver o filme do Chico Xavier.

Sem tratar da qualidade técnica e artística, que já valeriam o ingresso, a história é muito envolvente e capaz de produzir no mínimo uma curiosidade, mesmo em céticos e ateus. Quem, como eu, tem algum envolvimento com a filosofia espírita, em muitos momentos se emociona com o enredo. Não que se faça nada para arrancar a emoção do espectador, mas o filme tem uma energia envolvente, difícil de explicar. Algo muito tocante.

Em geral as pessoas só se aproximam da ideologia espírita quando estão em desespero pela perda de alguém muito próximo. Buscam alento para suas dores e explicações que possam amenizar seu sofrimento. Afinal estamos sempre tão preocupados com os problemas diários, as coisas temporárias. O que não parece muito inteligente, já que a única certeza que temos é a da morte, mas não queremos "perder tempo" pensando no que vai acontecer -ou não- quando ela chegar.

Minha inquietação sempre foi absoluta. Sobre o mundo, sobre a arte, sobre a vida e não seria diferente sobre o que vem depois dela. Desde muito cedo meu interesse pelo "mundo que não vemos" é presente. E não é fácil pra mim entender como a grande maioria das pessoas não atenta pra essa questão inevitável que trata o nosso destino. Como podem viver sem questionar o que vem depois? Não tenho ainda todas as respostas, mas a filosofia espírita até agora é que mais se aproximou desse fim. Você não precisa concordar comigo. Mas, você pensa sobre o assunto?

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Je Ne Veux Pas Travailler

Meu querido diário... Bom, eu começaria assim se esse espaço fosse realmente para contar os episódios do meu dia a dia. Como não é o caso, vou começar dizendo: puta que pariu, como esse País tem feriado! Parece até que somos uma grande potência econômica, não precisamos trabalhar, estamos no topo da pirâmide social do mundo. Especialmente o Rio de Janeiro tem dias "inúteis" demais. Um feriado que se emenda em outro e torna a semana praticamente inexistente para a indústria, o comércio, a movimentação enfim.

Provável que se eu fosse funcionário público ou mesmo privado, estaria feliz da vida, querendo mais que a gente entrasse logo em recesso até o fim do mês pelo menos. Ocorre que não. Dependo do comércio funcionar, das pessoas estarem dispostas a passear pelas lojas, galerias, shoppings. Preciso que haja circulação. Isso acaba me obrigando a olhar as coisas por outra perspectiva. Feriados demais atrapalham a gente. Precisamos trabalhar.

Eu poderia continuar minhas explanações, talvez um pouco mau humoradas na visão de alguns. Teria um monte de exemplos, gráficos e fórmulas pra explicar o quanto semanas improdutivas prejudicam o desenvolvimento econômico de um povo. Mas acho isso trabalhoso demais, afinal, amanhã é feriado e eu nem devia estar dando expediente hoje aqui nesse blog. Então, bom feriadão pra todos.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

An... Um... Oh...

Hoje to com uma preguiça. Preguiça de pensar, de concluir, de analisar. Acho que é porque eu na verdade não sei mesmo o que estou pensando. Sabe quando a letargia bate em você e fica difícil tomar uma simples decisão, como trocar de canal por exemplo? É isso. Não sei o que estou sentindo, não sei o que estou pensando. Mas ontem, ontem cheguei à uma conclusão incrível e espantosa: eu não quero o que eu jurava que queria. Brilhante! Quando a gente descobre que não quer, fica tão mais fácil. Liberdade!

É, acho que hoje, por mais que eu escreva, não vou dizer muita coisa. Tá meio confuso o processo. Não pensem que já to bebendo a essa hora do dia, nem tomei nada, por favor. Sei lá, só desconexões mesmo. Não tendo muito o que dizer, vamos ao conhecido recurso do vídeo! Pra combinar com o clima no sense, esse clip da louca da Björk, muito bom: "All is ful of love".


quarta-feira, 7 de abril de 2010

Uma rapidinha

Por que será que queremos sempre as coisas mais difíceis? Parece que o complicado, o distante, o incerto é mais atraente. Quase todas as vezes, a fruta que escolhemos no pé é a que está no galho mais alto. Seria só um acaso os objetos do nosso desejo serem invariavelmente os mais difíceis ou é justamente isso que faz deles tão atraentes?

É complicado. Minha terapeuta encontraria um milhão de explicações no meu "inconsciente" para justificar minhas escolhas. Mas o fato é que eu estou sempre mais interessado nas coisas e pessoas que não estão, digamos, muito acessíveis a mim. O trabalho perfeito não está perto, a casa cobiçada é difícil, a pessoa que desperta desejo, indisponível. Seria tão mais fácil ter o que está ao lado e querer o que nos quer. Mas talvez aí esteja a questão, se está fácil, perde a graça. Ser humano é muito doido mesmo.

quarta-feira, 31 de março de 2010

A NÍVEL DE...

Impressionante a evolução do ser humano, os avanços tecnológicos, as descobertas na medicina, a corrida espacial. Evoluímos em tantas coisas mas continuamos medíocres em outras. Preocupação com a vida sexual das pessoas é uma delas. Taí uma coisa que instiga, provoca, interessa a uma grande maioria, quando na verdade devia ser de importância somente para quem está envolvido nela.

Ontem o mundo se assombrou com a "bombástica" revelação do
Ricky Martin, se assumindo gay. O próprio termo "assumir" já parece que o sujeito está confessando um crime. Quando na verdade ele está apenas dizendo "é sou mesmo, como vocês sabiam".

O espantoso é como uma notícia dessa pode causar tanto alvoroço. Todas as
mídias trataram o assunto com o impacto (e as vezes ironia) de uma revelação que alterasse o nosso dia a dia. Mas o que ninguém explicou foi o que muda pra humanidade saber o que esse cara faz na cama. Ele está falando de uma coisa que já acontecia na Roma e na Grécia antigas, com toda a permissão e até incentivo dos costumes da época e que nunca deixou de existir, até hoje, seja de forma explícita ou renegada ao anonimato. Ou seja, é assunto velho.

Há quase 30 anos, em plena ditadura militar, João
Bosco cantava em seu disco Comissão de Frente a música "A nivel de", que fala com humor da troca de pares entre dois casais insatisfeitos com suas vidas monótonas. Maridos se juntavam, assim como esposas se uniam, formando novas duplas em busca de uma vida melhor (para ver a letra e ouvir a música clique aqui ). Isso há quase 3 décadas. Se espantar com esse assunto hoje é, no mínimo, fora de moda.

Acho que
ninguém, anônimo ou famoso tem obrigação de revelar nada sobre o que faz na sua intimidade. Mas no caso de personalidades como o ex-Menudo, penso que pode ser um certo "conforto" para quem vive as angústias de esconder sua sexualidade. Ver um ídolo mundial falando sobre o assunto pode fazer o bicho parecer menos feio. Mas é só. Nem a rotação da Terra, nem o desmatamento na Amazônia vão mudar por causa disso.