sábado, 28 de fevereiro de 2009

Enterrar defunto vivo

Como já devem ter percebido, mais uma vez vou falar do tema recorrente nos meus assuntos ultimamente: relacionamento. Ou o fim dele. Sei lá, mas poucas coisas mexem tanto comigo quanto isso. Sou capaz de administrar a crise econômica mundial, negociar a paz no Oriente Médio ou resolver o problema da violência no Rio. Mas empaco na hora de tratar das questões sentimentais. Na verdade eu acho que não é fácil pra ninguém, mas as pessoas têm seus mecanismos de defesa que entram em ação e amenizam a coisa. Acho que os meus têm defeito de fábrica.


Eu acredito que pessoas como eu são pessoas que têm dificuldade em lidar com a morte. Porque, se repararmos bem, o fim do relacionamento é a morte do outro. Você fala com a pessoa todo dia, sai com ela, almoça com ela, dorme com ela, tem planos, projetos, tudo, e derrepente: tudo isso acaba. No dia seguinte vocês não se falam mais (na maioria das vezes), vocês não se veem mais, um não faz mais parte da vida do outro. É como se o outro literalmente morresse. Mas sem enterro, sem flor, sem vela, essas coisas que selam o fim de uma vida e obrigam a gente a se conformar com o destino.


Quando a relação acaba unilateralmente você também precisa enterrar o defunto, mas ele está vivo! E chorar por defunto vivo não é fácil, onde você coloca flor?


Seria perfeito se o amor fosse como um contrato, que se acabasse com a rescisão dele. "A partir de agora não sinto mais nada". Bom ? Sem neuras, sem sofrimentos, nada. Mas não é assim. Ainda que o sentimento se esvazie, as mágoas ficam, as dores ficam, as feridas e marcas ficam. Com o tempo até cicatrizam, mas estão ali, na sua pele não te deixando esquecer o que se foi, embora você saiba que os mortos devem descansar em paz.

6 comentários:

  1. Alcione, Alcione, PÁRE! com isso e revele a loba que se esconde por trás dessa pele de gata. Enterrar difunto nada. Urubu taí pra isso!
    ;P

    ps.: adorei. virei sempre!

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  2. LIndo o texto, concordo plenamente com o que está escrito.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. E é assim mesmo. Dói, fica um ranço, um arrastar de correntes que cansa. Mas tem que ser assim? Ou alimentamos isso de forma a não ficarmos vazios? Não sei. Mas me lembrei de um texto que tinha colocado no multiply um texto da Martha Medeiros sobre esse assunto. Gosto muito. Vou postar aqui apesar de ficar enorme esse comentário,rs.
    Mas foi o primeiro. Quem mandou provocar?

    " Tentando um novo amor


    Para curar uma dor de amor, digam o que quiserem, só conheço um remédio: um amor novinho em folha. Enquanto nosso coração não encontrar outro pretendente, ficaremos cultivando o velho amor, alimentando-o diariamente, sofrendo por ele e, no fundo, bem no fundinho, felizes por ter para quem dedicar nossos ais e nossa insônia. A gente só enterra mesmo o defunto quando outra pessoa surge para ocupar o posto.

    Se isso lhe parece uma teoria simplista, toque aqui. É simplista sim. Isso de enterrar o defunto do dia pra noite só funciona quando o defunto era apenas uma paixonite, um entusiasmo, fogo de palha. Porém, se era algo realmente profundo, um sentimento maduro, aí o efeito do novo amor pode revelar-se um belo tiro pela culatra. Ele acabará servindo apenas para dar a você a total certeza de que aquele amor anterior era realmente um bem durável. E a dor voltará redobrada.

    Um beijo que deveria inaugurar uma nova fase em sua vida pode trazer à tona lembranças fortes do passado, e nem é preciso comparar os beijos, apenas as sensações provocadas. Quem já vivenciou isso sabe o constrangimento que é beijar alguém e morrer de saudades do antecessor.

    Um novo amor pode transformar o que era opaco em transparência: você não sabia exatamente o que sentia pelo ex, se era amor ou não, então surge outra pessoa e você descobre que sim, era amor, caso contrário não sentiria esse abandono, essa perturbação, essa forte impressão de que está fazendo uma tentativa inútil, de que não conseguirá ir adiante.

    Mas o que fazer? Encarar uma vida monástica, celibatária? Nada disso. Viva as tentativas inúteis! Uma, duas, três, até que alguma delas consiga superar de vez a inquietação do passado, que venha realmente inaugurar uma nova fase em sua agenda amorosa, que deixe você tranqüilo em relação ao que viveu e ao que deve viver daqui pra frente.

    No entanto, quanto mais escrevo, mais me dou conta de que não há fórmula que dê garantia para nossas atitudes, de que não há pessoa neste mundo que não possa nos surpreender, de que tudo o que vivemos são tentativas, e que inútil, inútil mesmo, nenhuma é."

    Martha Medeiros.

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  5. E como não sou muito bom de escrever ( ou a preguiça é maior?) acabo usando textos de outros pra provocar os pensamentos. Aí estão mais dois sobre mesmo tema. Tá lá no multiply.

    http://scorpios.multiply.com/journal/item/5
    e
    http://scorpios.multiply.com/journal/item/54/54

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