
Não sou crítico de teatro, nem de coisa alguma, mas gosto de comentar e sugerir coisas boas que vejo e que me tocam de alguma forma. Como aconteceu com a peça "Uma história de borboletas", que vi neste fim de semana. Escrita e dirigida pelo gaúcho Marcelo Aquino, a peça é adaptação do conto de Caio Fernando de Abreu.
Com uma envolvente trilha sonora, tocada ao vivo, com acordeon e instrumentos de percussão, a história mostra a tênue linha que divide a loucura da sanidade e nos faz pensar que ser louco pode ser uma questão de ponto de vista. É espetáculo para quem gosta mesmo de teatro. Muito lúdico, os personagens veem borboletas saírem de suas cabeças à medida em que perdem o juízo. O que poderia parecer realmente loucura, se transforma numa poesia envolvente, cheia de simbologias e pureza. No teto, centenas de borboletas de papel penduradas formam um cenário simples e encantador. A loucura pode parecer um estado de espírito, no qual em algum momento já vivemos ou estamos prestes a viver.
A peça está no Solar de Botafogo, de sexta a domingo, até 26 de abril.
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