Outro dia eu tava em casa, sem fazer nada, reclamando do calor infernal que fazia. Aí minha mãe comentou que vinha da casa de um amigo nosso e que o calor lá estava bem pior. É que ele estava cozinhando, cuidando de panelões de comida para entregar aos moradores de rua, um hábito que a família tem há alguns anos. O cara tava lá, derretendo, fazendo comida pra quem ele nem conhece e feliz da vida por isso. Confesso que fiquei com vergonha. Eu, em casa, pensando em nada e achando a vida injusta comigo porque eu não consegui ainda tudo o que quero. Logo eu, que sou tão bom, que (às vezes) até dou esmola ao mendigo. Fiquei pensando como a gente não faz nada. Como esperamos recompensas divinas por atitudes tão pequenas que temos de vez em quando, como ajudar velhinho a atravessar a rua (isso se não estivermos com pressa).
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Eu mesmo fico pensando o quanto bacana eu sou por tratar bem as pessoas, por amar meus amigos e me preocupar com eles, por respeitar os mais velhos... Mas isso não deveria ser o básico? Não é nenhum mérito. Tem muita coisa mais pra ser feita, muita necessidade no mundo, muita coisa que podemos melhorar com uma simples participação nossa. Eu acho que, assim como grande parte da população espera muito do Governo, nós esperamos muito de Deus, como se merecêssemos todas as graças só porque não somos más pessoas. Não ser mau é muito pouco. Tem muito mais coisa que podemos ser, em benefício do outro. E isso não é pra receber a recompensa dos céus não, é pela satisfação pessoal mesmo. Faz bem fazer bem.
Fazer o bem sem olhar a quem, já dizia minha mãe.
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