domingo, 20 de setembro de 2009

365

Hoje faz um ano que morreu um amigo muito querido. Num dia assim, a gente pensa em quanta coisa deixou de existir. Quantos telefonemas não aconteceram. Quantos abraços, beijos e sorrisos foram cancelados. Tanta conversa, tanta confidência e desabafo deixaram de ser ditos. Muitas músicas não foram dançadas junto, muitos encontros na praia foram evitados. Várias crises de riso, ataques de bobeira, deboches, tudo foi cancelado. Havia ainda tanto a ser vivido, tantas festas pra irmos juntos, carnavais, reveillons, feriadões, sessão de cinema, um café no fim de tarde. Tudo deixou de acontecer.

Além da falta tremenda que tudo isso me faz, que tudo isso nos faz, penso que é um momento bom pra gente aprender a valorizar mais cada minuto que passamos com as pessoas que gostamos. Com os amigos mais que queridos. Digo amigos mesmo. Tem sempre muita gente à nossa volta, mas sabemos de verdade quem são aqueles que estão do nosso lado em qualquer chuva ácida que possa cair sobre nós. Aqueles pra quem a gente pensa em ligar sempre que tem uma novidade boa. Aqueles com quem falamos quase todos os dias, ou mesmo se ficamos meses sem ver, quando encontramos parece que o tempo não passou.

Alguém já disse que "viver é muito perigoso". E a vida se vai, como areia entre os dedos. Não dá pra saber se um outro encontro vai acontecer, um outro telefonema, um outro passeio pela orla. Não dá pra deixar de dizer pro amigo hoje o quanto ele é importante. Se ficar pra depois, pode simplesmente não dar tempo. Sinto muita falta de tudo, de tudo que não aconteceu.

Um comentário:

  1. Lindo o seu post, me emocionei muito.
    Isso me faz ser seu amigo mais ainda, com ou sem chuva ácida.
    Beijos
    Sergio Mota

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